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A câmara criogênica

Este artigo foi publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa, há quase um mês, mas eu parei de postar aqui, simplesmente por falta de organização. Por isso, vou postar os atrasados em série, esta semana.

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Se pudesse ter qualquer desejo realizado, hoje, desejaria dormir pelos próximos 5 anos. Já li e reli os arautos da modernidade, da comunicação, da futurologia. Já sei que coisas completamente banais e arraigadas na sociedade vão, num futuro brevíssimo, deixar de existir, tais como:

telefones fixos, jornais impressos, telediário às 8 da noite, horário fixo para programação na tv, rádio, CLT para profissionais alfabetizados, e um longo etc.

Mas sinceramente, estou de saco cheio da transição. O anúncio pede um profissional “capacitado, fluente em vários idiomas, que saiba manejar bem ferramentas de alta especialização para executar uma tarefa super-high tech”, e no primeiro trabalho, ele precisa explicar ao chefe, que tem 20 anos de carreira e um salário 8 vezes maior que o Facebook é uma empresa, que é uma empresa importante, que qualquer pessoa que decide deveria saber que existe, etc etc.

Fragmentação, quem decide o quê?
O problema da sociedade de informação atual é de níveis: que nível de informação eu posso mencionar num artigo neste jornal, que informações eu posso usar com meus companheiros de trabalho digitais, e que outras eu preciso traduzir, adaptar ou explicar para que os outros companheiros entendam?

Vai chegar um dia em que não será mais necessário explicar que a internet é o meio de comunicação por definição, que as velha regras da comunicação nem serão mais lembradas, que ninguém vai encher o saco lembrando clichês antigos, regras bizarras da propaganda dos anos 60 (“por favor, não comecem nenhum texto com palavras negativas”), nem vão me perguntar o que é o orkut.

Seria ótimo se tudo fosse como antes
Nada de mudanças, de transições, de alterações na realidade. Os livros contam como é o mundo. Os conselhos do seu avó continuam válidos.

Seria ótimo se tudo fosse como será depois
A tecnologia é aceita por todo mundo com menos de 60 anos. Não existem mais professores cuspidores de regra que dizem que “isso sempre funcionou assim, não vamos mudar”. A frase “é assim que as coisas são” é aposentada por invalidez.

O que é insuportável é a transição
Enquanto houverem equipes mistas, pessoas que vivem em uma década e o resto em outra, vai ser um inferno. Os que vão atrás da revolução, reclamando que tudo está mudando rápido demais, e não conseguem acompanhar. Os que vão no meio, com medo de perder o trem. Os que vão na frente, liderando, têm a sensação de estar puxando a carga, levando adiante o trabalho, fazendo a força que move a sociedade. E ninguém aguenta ser locomotiva por muito tempo.

Vou sentar e esperar o trem chegar
Por isso tudo, eu decidi dar uma pausa. Deixa a revolução chegar. Eu não vou mais tentar convencer ninguém que daqui pra frente tudo vai ser diferente. Quem quiser que aprenda a ser gente. O que eu quero é ser feliz e mais nada.

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