.:The worst kind of thief:.
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Pensando no usuário

Artigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa, Paraíba

Quando você fala, você diz o que quer, ou o que os outros querem ouvir? E na hora de preparar as mercadorias de uma loja, você coloca as que quer vender ou as que as pessoas querem comprar? E para preparar um site? Acha que existe algo mais importante que isso?

É muito comum, em vários tipos de projetos, o erro de colocar como prioridade o que você quer antes do desejo alheio. Ao invés de imaginar o que o consumidor/público-objetivo vai querer, projetamos a nós mesmos em seu lugar, e imaginamos que ele vai pensar igual ao que queremos que ele pense.Trabalhando com propaganda, aprendemos que isso destrói quase todas as possibilidades de persuasão. Não há diálogo, nem convencimento.

Desde o começo deste texto, expresso que o importante é pensar no usuário. No meu caso, no leitor. Porque eu quero que leiam o texto. Mas ele não vai ler se eu não ajudar, não tentar construir um raciocínio claro e simples para ele. Dar voltas desnecessárias, desvios, citações obscuras (como esta volta que eu estou fazendo agora) podem até ser interessantes, mas dificultam o processo. Viu? Voltando…

Se você está projetando uma loja, pense no mesmo. Quem vai entrar aqui, por quê, se vai estar com a cabeça ocupada com outras coisas e lendo distraído. Se vai estar interessado em comprar o que você quer vender, e se vai encontrar logo, porque ninguém quer perder tempo procurando. Você pode gostar de passar o dia na sua loja. Seu cliente, como toda pessoa normal, prefere a praia. E não se ofenda. Acho que todo mundo também prefere a praia a ler o meu texto.

Na internet, isso é tão importante que criou uma ciência e um grupo de especialistas: a usabilidade e os arquitetos da informação. Gente que vive estudando, medindo e comparando a maneira como as pessoas utilizam páginas para facilitar a vida, o acesso e uso de websites. O incrível é que a maioria dos conceitos parecem básicos, simples, mas são terrivelmente comuns, e quando não são executados à perfeição, podem arruinar um trabalho muito bem-feito, espantando as pessoas de uma página até interessante.

Os preceitos de clareza, simplicidade, consistência, redundância, ordem e equilíbrio são benéficos e devem ser aplicados em todos os tipos de projetos em que haja comunicação, para que a mensagem seja transmitida com o mínimo de erros possível. E afinal, é isso o que sempre buscamos, não?

Isso acontece porque a internet, para a maioria das pessoas, é um novo mundo, no qual elas precisam aprender a se locomover, procurar, mover-se e agir. E pra isso buscam referências, engatinham num mundo de informações móveis. Então surge o arquiteto que vai tornar as coisas mais ou menos sólidas, referenciais. Como colocar a mão no chão num dia de ressaca, o arquiteto da informação faz com que a quantidade absurda de dados ao seu redor deixe de parecer uma massa amorfa e dá sentido à realidade digital. Desculpem, acho que acabo de usar a pior metáfora da história da humanidade.

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